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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

HOSPITAL WALFREDO GURGEL ACUMULA PACIENTES NOS CORREDORES


Situação do Hospital é crítica, segundo direção da unidade.
Nesta segunda-feira,  mais de 100 pacientes estavam nos corredores








A dor e o sofrimento dos pacientes do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HWG), maior hospital público do RN, não se limita apenas aos corredores superlotados. Ontem, um paciente se recuperava de uma cirurgia no baço na porta do Centro Cirúrgico deitado numa maca cujo suporte para sua cabeça era a tampa de um tambor de lixo. Absurdos como esse e muitos outros foram vistos durante uma visita realizada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremern), que convidou conselheiros dos Direitos Humanos no RN para conhecerem a realidade do Walfredo. O Rio Grande do Norte está em estado de calamidade há mais de 60 dias, e o plano emergencial lançado pela governadora Rosalba Ciarlini (DEM) para conter o caos ainda não apresenta resultados visíveis, pelo menos para os pacientes da unidade. Revoltados, eles chegaram a ameaçam queimar colchões. Médicos e funcionários fizeram um protesto na frente do Pronto-Socorro Clóvis Sarinho.
Para onde se olha no Walfredo Gurgel é possível ver problemas, inúmeros, graves, proporcionais à superlotação. Macas de ambulâncias do Samu ficam retidas dentro do hospital com e sem pacientes. Algumas completamente sujas de sangue. Eletrocardiogramas são feitos no meio do corredor por falta de espaço. Pacientes aguardam uma cirurgia ortopédica há mais de um mês, sem nenhuma previsão de quando farão o procedimento.
O cenário de hospital de campana, daqueles que são vistos em guerra ou em filmes de ficção, chocou os representantes dos Direitos Humanos. "É uma situação calamitosa, inimaginável. Os pacientes estão rebelados. Chegou o momento da sociedade e das instituições buscarem restaurar a dignidade dessas pessoas. Desejamos que o governo estadual reabra o diálogo e que dê resolutividade a esses problemas. Apesar de tudo, esse hospital é um grande salvador de vida. Eu já tive minha vida salva, passei três dias amarrado no corredor. O Walfredo precisa ser um hospital de vida, e não a sala da morte como é agora", afirmou Marcos Dionísio, presidente doConselho Estadual dos Direitos Humanos.
O presidente do Cremern, Jeancarlo Cavalcanti, afirmou que as instituições avaliam uma forma de propor uma ação judicial conjunta para que alguma coisa seja feita para diminuir os problemas. Eles vão se reunir na próxima segunda-feira, 17, às 9h da manhã. "Não podemos fechar o hospital, interditar as áreas mais críticas, sob risco de corrermos homicídio culposo. Vamos lutar até a última hora para os pacientes terem atendimentos dignos, como eles merecem", afirmou.

Cavalcanti disse que a situação é grave em todos os setores do hospital, especialmente no pronto-socorro, e que a única possibilidade de interdição real é no Centro de Recuperação de Operados (CRO). "Mas não é nossa intenção porque isso traria um prejuízo imenso à população, mas lá os médicos e outros profissionais trabalham em condições precárias". O DN constatou, no CRO, tambores de lixo ao lado dos leitos onde os pacientes estavam entubados, recebendo tratamento.
Grito de socorro na porta do hospital
Após a visita do Cremern e dos Direitos Humanos, os pacientes que tiveram condições de se deslocar acompanharam médicos e outros profissionais de saúde até a porta do Pronto-Socorro para fazer o protesto em frente às câmaras de televisão e jornalistas presentes durante a visita. Com palavras de ordem, os manifestantes gritavam: "Saúde é o que interessa. A Copa não tem pressa", sobre os investimentos do governo potiguar na infraestrutura para a sede da Copa de 2014.
"Queremos respeito aos pacientes, respeito a todos nós. Nossas mãos hoje não foram lavadas. Temos risco de contaminar os pacientes porque não lavamos nossas mãos por falta de sabão no hospital. Sabão. Queremos lavar as nossas mãos", gritava a técnica de enfermagem Ângela Maria Ramos, que trabalha na sala de gesso do hospital. Outra mulher, a acompanhante de um paciente, se ajoelhou e implorou por ajuda. "Peço até pelo amor de Deus. Nos ajudem. Tenham piedade. Misericórdia de todos nós", rogou a mulher.
Fonte: Diario de Natal

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